Uberlândia 07 de outubro de 2022
Outra sexta feira chuvosa de primavera em que chorei por você. Não consigo colocar na ponta do lápis a quantidade de vezes que já comecei um texto para ti prometendo ser o último, assim como também não consigo contar quantas lágrimas já se foram nesse processo. Todos os dias penso em você e às vezes tenho a falsa ilusão de que a dor está diminuindo junto a saudade com o passar do tempo. Mas não. Hoje te escrevo porque essa noite sonhei com você, e como sempre foi um sonho real. Acho engraçado que até em sonhos consigo discutir com você. No sonho eu te disse: "acho que não existe um bar nessa cidade que eu não tenha falado sobre nós" você sorriu e me abraçou. Já usei de tantas analogias para descrever aos outros o que eu sinto por você, tantas comparações que nunca me parecem o suficiente para demonstrar o que é a intensidade de te amar, mas uma eu nunca contei a ninguém e nem a você. Você me lembra um cd velho do meu irmão mais novo. Sim um cd. Quando éramos mais jovens (e que isso não soe como se fôssemos velhos) tínhamos um rádio e meu irmão tinha um cd que continha sua música favorita. Só havia um problema, a parte referente a sua música predileta estava arranhada, e não tocava de maneira correta. Meu irmão não se importava com isso, tirava e colocava o cd no rádio e o ouvia desde o início novamente só para poder escutar partes da sua música favorita. Era teimoso, obstinado, não importava quantos outros cds maravilhosos possuíamos em casa, quantas outras coisas ele tinha a fazer e a descobrir no seu tédio de dia a dia infantil. Todos os dias ele ouvia aquele cd só para ouvir partes picadas que fossem daquela música. Você é minha música favorita do meu cd velho. Eu insisto em tentar te ouvir mesmo sabendo que não vai funcionar. E não consigo entender porque ainda tenho essa faísca de esperança que insiste contra toda a racionalidade que deveria existir aqui dentro. Eu ainda amo você, e por mais que eu lute contra isso dentro de mim, e tente ao máximo fingir que esse sentimento já não existe, tenho perdido constantemente essa luta. Li uma frase de Santo Agostinho que me deu um aperto no coração e me arremeteu a você diretamente: "A angústia de ter perdido não supera a alegria de ter um dia possuído". Odeio a saudade, odeio a dor das lembranças boas que sei que não se repetiram e com a mesma força amo cada segundo que passei ao seu lado e apesar de toda dor ainda restante, faria tudo exatamente igual.
Com amor,
sua (apesar de tudo) Thais.
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