existem dias e dias
dias de calmaria onde parece que estou em um veleiro navegando em águas calmas, sinto o vento que impulsiona a minha embarcação imaginária me dando a estabilidade que é necessária para me manter no controle.
mas existem os dias de tempestade, dias em que me sinto à deriva, lutando para não ser engolida pelas ondas das minhas próprias emoções.
viver nesse barco que muitas vezes parece mais uma montanha russa é extremamente difícil, as pequenas coisas que aos olhos dos outros são irrelevantes, pra mim são tão sérias e reais quanto a dor física, que nesse caso seria melhor e menor que a dor emocional que eu sinto nesses episódios de descontrole.
eu queria ser menos eu, falar menos menos, sentir menos, queria sei lá, conseguir vestir uma máscara e deixar ela intacta perfeita, uma máscara de boa filha, boa namorada, boa irmã, boa sobrinha, boa tia, boa em tudo.
mas eu sou assim, transparente, cheia de rachaduras que todo mundo que me conhece de verdade por trás das cortinas, consegue ver mesmo com meus esforços pra esconder e manter a máscara da perfeição que todo mundo exige que eu entregue.
sábado eu passei o dia em um tratamento exageradamente caro pra me ajudar a sair da tempestade que meu celebreira se encontra, domingo a noite eu já estava querendo organizar uma viagem pra assistir um jogo de futebol em outra cidade de um time que nem é o meu. instabilidade. essa é a palavra.
essa sou eu, não tem meio termo, não tem conserto, por que eu não consigo ser só um pouco feliz ou só um pouco triste?
não eu não sei dosar nada, não existe a tal linha tênue na minha cabeça, ou eu sou a pessoa mais feliz da turma e quero passar a noite conversando ou eu quero me isolar e ficar sozinha no quarto com meu celular. ou eu devoro tudo que tem na geladeira, peço comida japonesa seguida de um litro de açaí e tomo uma garrafa de vinho inteira ou passo dias sem beber nada de álcool e não comer quase nada. porque a verdade é que muitas vezes eu não quero sentir que eu existo.
minha vida é um constante jogo de troca, troca de humor, troca de hobby, troco de ideia, apago as redes sociais e não quero que ninguém veja nada meu, volto e posto dez stories no mesmo dia, as vezes troco de roupa 3 vezes no dia, e as vezes quero passar 3 dias com a mesma roupa. me sinto exagerada, cansada de mim mesma.
eu queria ser menos de mim, ocupar menos espaço, fazer menos barulho sabe? mas eu nasci assim, tão barulhenta.
não foi Carlos Drummond de Andrade que escreveu Mundo Vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo… (não é essa a célebre frase?) bom, seria uma rima, se eu fosse outra pessoa seria uma solução, mas eu sou a Thais, e pra isso, não tem rima, e muito menos solução.
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