Queridos amigos,
quanto tempo.
Em todo esse tempo distante pensei muitas vezes nesse espaço, no porque não haviam textos novos, será que as boas histórias tinham acabado? Não, claro que não, mas nessa nova era de pandemia parecia que mediante tanto sofrimento alheio não era justo se escrever nada de bom.
Mas cá estamos, 2022, a pandemia não pode se dizer que acabou por completo, mas agora já soa como uma névoa se distanciando cada vez mais. Deus tem sido bom conosco. Manteve todos ao meu redor inclusive eu, com segurança e saúde intactas. Como primeiro texto de volta pensei em qual das muitas histórias que aconteceram comigo deveria contar, e a escolhida foi a minha viagem de férias, não ela toda porque isso renderia muitas e muitas palavras mas apenas o dia mais gostoso dela.
Tudo começou no fim do ano passado quando decidi que nas minhas férias iria para o sul do país, como boa mineira devo seguir o primeiro mandamento dos mineiros: "Em épocas de férias a praia deves ir". Escolhi então Floripa, além do fato de já conhecer a ilha e amar cada pedacinho dela, iria casar perfeitamente com meu destino anterior que seria Foz do Iguaçu. E lá se foi eu, voltando para Floripa após 6 anos. A sensação de que tudo havia mudado e ao mesmo tempo tudo parecia igual era assustadora. Alguns lugares mudaram, outros não, mas eu sem sombra de dúvida havia me transformado por inteira. Pousei em Florianópolis por volta as 13:30, o tempo estava amistoso, sol leve e poucas nuvens, mas não fazia calor. A previsão dizia que as temperaturas iam cair drasticamente nos próximos dias então sai do aeroporto e fui correndo para a praia com blusa de frio e tudo. A emoção de tocar o pé na areia do mar e ouvi-lo ao fundo foi inexplicável. Queria ficar ali para sempre mas logo percebi que iria ser difícil conseguir entrar no mar por aqueles dias, o frio estava intenso. Fui para o hotel e voltei a praia nos dias posteriores mas não consegui entrar na água, até chegar o meu último dia de viagem. Acordei decidida a entrar no mar, mesmo se estivesse fazendo 10 graus, mas para a minha alegria o dia amanheceu lindo, sem nuvens e ensolarado, coloquei o biquíni e fui tomar o café da manhã do hotel. Lá meus amigos nesse café, lá eu conheci o Rodrigo.
Rodrigo era um carioca que estava passando uns dias por Floripa também, não conhecia a ilha e aquele era seu primeiro dia no meu hotel. Tomamos café junto com outras pessoas, e quando eu estava de saída para minha jornada até então individual de entrada ao mar, Rodrigo me disse: "pera que eu vou junto contigo". E lá fomos nós, eu de biquíni e shortinho, ele de jeans e com os celulares do trabalho, seu plano era trabalhar a beira mar, de inicio eu não acreditei muito mas no fim, foi exatamente isso que ele fez. Percorremos um caminho de quase 6km até a praia de Joaquina, conversamos sobre absolutamente tudo naquela hora de caminhada e rimos das coisas mais idiotas do mundo. Chegamos na praia e Rodrigo como bom carioca e carismático já fez amizade com uns pescadores enquanto me incentivava a entrar no mar logo para não perder "a coragem".
Entrei no mar.
A água estava uma delicia e fiquei ali por alguns minutos, como se aquela água pudesse lavar além do meu corpo, minha alma. Chamei Rodrigo para entrar, ele estava trabalhando com os dois celulares e me disse: "poderia não ter vindo de jeans". Sai do mar em um momento e vi um pescador com uma blusa da redbull racing, também conhecida como minha equipe favorita de automobilismo. Elogiei a blusa do tal pescador: "amei a sua blusa", ele sorriu e disse:"fique para você então" logo em seguida tirou a camiseta e me entregou, ela estava com todas as etiquetas. era nova!
Antes de eu e Rodrigo sairmos de volta para o hotel, quis subir em algumas pedras para ver a paisagem, a subida parecia um pouco complicada e de inicio não conseguimos imaginar como faze-la sem passar por dentro do mar e Rodrigo não queria se molhar, mas de contrapartida eu queria muito ver a tal paisagem e ele em um gesto de carinho deu um jeitinho e passou por outro caminho e não se molhou. Subimos nas pedras e não satisfeitos andamos por algumas delas, tiramos fotos, quase caímos (eu quase ao menos, Rodrigo estava pleno mesmo de jeans) e por fim, olhamos a paisagem, perfeita.
Decidimos voltar ao hotel e assim finalizar nossa manhã e tarde. No caminho de volta passamos por algumas dunas, e rimos juntos de mais histórias. Chegamos ao hotel com a noticia de que naquela noite passaria pela ilha um ciclone. A temperatura caiu rapidamente, a noite já pedia agasalhos e cachecóis, Rodrigo me levou a uma cachaçaria artesanal onde experimentamos doses de cachaça de sabores bem exóticos. O frio apertou e decidimos ficar quietinhos no hotel onde conhecemos mais gente e fomos jogar sinuca, ou melhor Rodrigo tentou me ensinar a jogar sinuca. Naquele jogo foi onde conheci Jamil, filho do dono do hotel em que estávamos, ele não só jogou com a gente como nos presenteou com a melhor imitação do ET Bilu que existe. Resolvemos beber e jogamos alguns jogos de bebidas questionáveis, mas o final de noite foi perfeito nada mais justo para um dia perfeito afinal de contas.
Querido Rodrigo, se estiver lendo esse relato, saiba que aquele dia foi um dos melhores da minha passagem por esse plano, que aprendi realmente a sinuca, e que até hoje tenho medo dos pássaros fake. Ainda temos muitas viagens para fazer juntos e espero que cada uma delas renda um relato tão bom quanto esse.
A vocês amigos, nunca subestimem a capacidade do destino de fazer você conhecer pessoas incríveis em qualquer situação.
A forma como relata, chega a ser mágica! Me transposta para a visão, consigo estar no local.. Ver, sentir.. A imaginação se aflora quando se trata dos seus textos. Abraço fraternal, prima!
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