segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Até a próxima vida #51

Hoje mandei pela milésima vez a mesma mensagem para a Andressa sobre você: não aguento mais sofrer por isso.

Hoje também liguei mais uma vez para o meu rabino querendo alguma explicação divina sobre a necessidade de todo esse sofrimento que me parece sempre inútil.

Ouvi dele a frase: devemos aprender a amar sem possuir, porque no fim quem ama é o espírito e não o corpo. Eu já tentei encontrar tantas justificativas pelo que sinto. Me parece injusto, injusto comigo em me colocar em tal posição, injusto com as pessoas ao me redor que me amam e não querem me ver mal pela mesma razão novamente.

Você.

Sempre você.

A quanto tempo eu não chorava no telefone com você me ouvindo? A quanto tempo eu não acordava com uma mensagem sua de preocupação e carinho: "vou viajar, não vamos nos falar, mas quero que fique bem", o que não te respondi foi que eu também iria viajar naquela sexta.

São Paulo.

Fórmula 1.

Nada me fez esquecer sua voz me implorando para explicar o porque eu não conseguia parar de chorar e eu para variar, não ser capaz de te falar o motivo.

Andressa me perguntou naquela terça: o que você quer fazer? quer ir parar na porta da casa dele? nós vamos! e eu respondi: só queria olhar para ele e chorar no seu abraço. não era nada sexual, nada de encontros, só chorar abraçada no colo do amor da minha vida pela razão contraditória de que nessa vida não ficaremos juntos.

Você foi assunto em são paulo algumas vezes nesse fim de semana, eu tentei disfarçar e desconversar. Acho que disfarcei bem, bem o suficiente até o avião pousar na nossa cidade, bem o suficiente até eu passar dirigindo em frente a mesma faculdade de direito que nos formamos, onde bebíamos de segunda a sexta no bar ao lado com 18 anos e achando que sabíamos tudo da vida. Duas crianças. Não que hoje eu me considere a rainha da maturidade porque acho que se fosse, teria descoberto como não sofrer mais pela mesma coisa: não ter você.

Mas estamos seguindo em frente.

Novos amores, que trazem paz a alma. Nada complicado. Nada confuso. Nada difícil.

Como o amor deve ser não é? Fácil.

Sequei as lágrimas enquanto ainda estava dentro do carro ouvindo Henrique e Juliano, "até a próxima vida" o clichê dos clichês. Lembrei do show deles dois meses atrás em que te liguei vinte vezes e sabe-se Deus porque você atendeu todas.


Todo esse texto, todas essas lágrimas, de terça até hoje só para te dizer: odeio o fato de termos feito tudo errado, odeio o fato de estarmos tão bem e felizes mas separados, odeio não ter aprendido a te amar sem querer ter você. Não te ver dói, não te ouvir dói, mais do que te imaginar com qualquer outra pessoa.

186 dias.

Espero um dia não saber mais essa contagem na ponta da língua.

Mas cada dia é um dia a menos para próxima vida e para a próxima chance.


Saudades,


com amor,


Thais.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Você é minha música favorita #50

Uberlândia 07 de outubro de 2022


Outra sexta feira chuvosa de primavera em que chorei por você. Não consigo colocar na ponta do lápis a quantidade de vezes que já comecei um texto para ti prometendo ser o último, assim como também não consigo contar quantas lágrimas já se foram nesse processo. Todos os dias penso em você e às vezes tenho a falsa ilusão de que a dor está diminuindo junto a saudade com o passar do tempo. Mas não. Hoje te escrevo porque essa noite sonhei com você, e como sempre foi um sonho real. Acho engraçado que até em sonhos consigo discutir com você. No sonho eu te disse: "acho que não existe um bar nessa cidade que eu não tenha falado sobre nós" você sorriu e me abraçou. Já usei de tantas analogias para descrever aos outros o que eu sinto por você, tantas comparações que nunca me parecem o suficiente para demonstrar o que é a intensidade de te amar, mas uma eu nunca contei a ninguém e nem a você. Você me lembra um cd velho do meu irmão mais novo. Sim um cd. Quando éramos mais jovens (e que isso não soe como se fôssemos velhos) tínhamos um rádio e meu irmão tinha um cd que continha sua música favorita. Só havia um problema, a parte referente a sua música predileta estava arranhada, e não tocava de maneira correta. Meu irmão não se importava com isso, tirava e colocava o cd no rádio e o ouvia desde o início novamente só para poder escutar partes da sua música favorita. Era teimoso, obstinado, não importava quantos outros cds maravilhosos possuíamos em casa, quantas outras coisas ele tinha a fazer e a descobrir no seu tédio de dia a dia infantil. Todos os dias ele ouvia aquele cd só para ouvir partes picadas que fossem daquela música. Você é minha música favorita do meu cd velho. Eu insisto em tentar te ouvir mesmo sabendo que não vai funcionar. E não consigo entender porque ainda tenho essa faísca de esperança que insiste contra toda a racionalidade que deveria existir aqui dentro. Eu ainda amo você, e por mais que eu lute contra isso dentro de mim, e tente ao máximo fingir que esse sentimento já não existe, tenho perdido constantemente essa luta. Li uma frase de Santo Agostinho que me deu um aperto no coração e me arremeteu a você diretamente: "A angústia de ter perdido não supera a alegria de ter um dia possuído". Odeio a saudade, odeio a dor das lembranças boas que sei que não se repetiram e com a mesma força amo cada segundo que passei ao seu lado e apesar de toda dor ainda restante, faria tudo exatamente igual.


Com amor,


sua (apesar de tudo) Thais.

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Sobre férias, praia e destino #49

Queridos amigos,

 

quanto tempo.


Em todo esse tempo distante pensei muitas vezes nesse espaço, no porque não haviam textos novos, será que as boas histórias tinham acabado? Não, claro que não, mas nessa nova era de pandemia parecia que mediante tanto sofrimento alheio não era justo se escrever nada de bom. 


Mas cá estamos, 2022, a pandemia não pode se dizer que acabou por completo, mas agora já soa como uma névoa se distanciando cada vez mais. Deus tem sido bom conosco. Manteve todos ao meu redor inclusive eu, com segurança e saúde intactas. Como primeiro texto de volta pensei em qual das muitas histórias que aconteceram comigo deveria contar, e a escolhida foi a minha viagem de férias, não ela toda porque isso renderia muitas e muitas palavras mas apenas o dia mais gostoso dela.


Tudo começou no fim do ano passado quando decidi que nas minhas férias iria para o sul do país, como boa mineira devo seguir o primeiro mandamento dos mineiros: "Em épocas de férias a praia deves ir". Escolhi então Floripa, além do fato de já conhecer a ilha e amar cada pedacinho dela, iria casar perfeitamente com meu destino anterior que seria Foz do Iguaçu. E lá se foi eu, voltando para Floripa após 6 anos. A sensação de que tudo havia mudado e ao mesmo tempo tudo parecia igual era assustadora. Alguns lugares mudaram, outros não, mas eu sem sombra de dúvida havia me transformado por inteira. Pousei em Florianópolis por volta as 13:30, o tempo estava amistoso, sol leve e poucas nuvens, mas não fazia calor. A previsão dizia que as temperaturas iam cair drasticamente nos próximos dias então sai do aeroporto e fui correndo para a praia com blusa de frio e tudo. A emoção de tocar o pé na areia do mar e ouvi-lo ao fundo foi inexplicável. Queria ficar ali para sempre mas logo percebi que iria ser difícil conseguir entrar no mar por aqueles dias, o frio estava intenso. Fui para o hotel e voltei a praia nos dias posteriores mas não consegui entrar na água, até chegar o meu último dia de viagem. Acordei decidida a entrar no mar, mesmo se estivesse fazendo 10 graus, mas para a minha alegria o dia amanheceu lindo, sem nuvens e ensolarado, coloquei o biquíni e fui tomar o café da manhã do hotel. Lá meus amigos nesse café, lá eu conheci o Rodrigo.

Rodrigo era um carioca que estava passando uns dias por Floripa também, não conhecia a ilha e aquele era seu primeiro dia no meu hotel. Tomamos café junto com outras pessoas, e quando eu estava de saída para minha jornada até então individual de entrada ao mar, Rodrigo me disse: "pera que eu vou junto contigo". E lá fomos nós, eu de biquíni e shortinho, ele de jeans e com os celulares do trabalho, seu plano era trabalhar a beira mar, de inicio eu não acreditei muito mas no fim, foi exatamente isso que ele fez. Percorremos um caminho de quase 6km até a praia de Joaquina, conversamos sobre absolutamente tudo naquela hora de caminhada e rimos das coisas mais idiotas do mundo. Chegamos na praia e Rodrigo como bom carioca e carismático já fez amizade com uns pescadores enquanto me incentivava a entrar no mar logo para não perder "a coragem".


Entrei no mar.


A água estava uma delicia e fiquei ali por alguns minutos, como se aquela água pudesse lavar além do meu corpo, minha alma. Chamei Rodrigo para entrar, ele estava trabalhando com os dois celulares e me disse: "poderia não ter vindo de jeans". Sai do mar em um momento e vi um pescador com uma blusa da redbull racing, também conhecida como minha equipe favorita de automobilismo. Elogiei a blusa do tal pescador: "amei a sua blusa", ele sorriu e disse:"fique para você então" logo em seguida tirou a camiseta e me entregou, ela estava com todas as etiquetas. era nova! 

Antes de eu e Rodrigo sairmos de volta para o hotel, quis subir em algumas pedras para ver a paisagem, a subida parecia um pouco complicada e de inicio não conseguimos imaginar como faze-la sem passar por dentro do mar e Rodrigo não queria se molhar, mas de contrapartida eu queria muito ver a tal paisagem e ele em um gesto de carinho deu um jeitinho e passou por outro caminho e não se molhou. Subimos nas pedras e não satisfeitos andamos por algumas delas, tiramos fotos, quase caímos (eu quase ao menos, Rodrigo estava pleno mesmo de jeans) e por fim, olhamos a paisagem, perfeita.


Decidimos voltar ao hotel e assim finalizar nossa manhã e tarde. No caminho de volta passamos por algumas dunas, e rimos juntos de mais histórias. Chegamos ao hotel com a noticia de que naquela noite passaria pela ilha um ciclone. A temperatura caiu rapidamente, a noite já pedia agasalhos e cachecóis, Rodrigo me levou a uma cachaçaria artesanal onde experimentamos doses de cachaça de sabores bem exóticos. O frio apertou e decidimos ficar quietinhos no hotel onde conhecemos mais gente e fomos jogar sinuca, ou melhor Rodrigo tentou me ensinar a jogar sinuca. Naquele jogo foi onde conheci Jamil, filho do dono do hotel em que estávamos, ele não só jogou com a gente como nos presenteou com a melhor imitação do ET Bilu que existe. Resolvemos beber e jogamos alguns jogos de bebidas questionáveis, mas o final de noite foi perfeito nada mais justo para um dia perfeito afinal de contas.


Querido Rodrigo, se estiver lendo esse relato, saiba que aquele dia foi um dos melhores da minha passagem por esse plano, que aprendi realmente a sinuca, e que até hoje tenho medo dos pássaros fake. Ainda temos muitas viagens para fazer juntos e espero que cada uma delas renda um relato tão bom quanto esse.


A vocês amigos, nunca subestimem a capacidade do destino de fazer você conhecer pessoas incríveis em qualquer situação.

no limite das emoções: um relato sobre o transtorno bipolar #55

existem dias e dias dias de calmaria onde parece que estou em um veleiro navegando em águas calmas, sinto o vento que impulsiona a  minha em...