Bom queridos, depois das (muitas) cobranças dos meus melhores amigos por um texto aqui resolvi me render e escrever o primeiro texto de 2020.
Confesso que meu coração não está muito feliz em escrever algo no meio desse caos todo, mas como diz meu amigo Marcio, boas histórias saem de situações ruins, então...
Parei para pensar sobre o que escreveria, e me recordei de uma conversa que tive com meu avô em uma pequena viagem do fim de semana passado.
Estávamos sentados na varanda da fazenda dele, conversando sobre os cavalos e como eles eram fortes para suportar todo o trabalho ao qual eram submetidos na dura rotina do campo. Meu avô então disse: "Pior era a 50 anos atrás, uma vez eu peguei um cavalo do meu pai e viajei nele 3 semanas, parando de fazenda em fazenda para ir visitar uma namorada." Imediatamente respondi com um leve sorriso e ar de surpresa: mas vovô, que namorada que morava longe, eu hein! Rimos juntos e não demorou para minha prima adentrar a conversa me questionando sobre meus amores distantes. Ele então nos disse que quando eles começaram a namorar, ela morava logo ali do lado, mas depois teve que se mudar com seus pais. Fiquei pensando então sobre o glamour dos relacionamentos antigos, ou o glamour que eu achava que existia. Mandar cartas, viajar semanas para apenas pegar na mão e trocar sorrisos vergonhosos. Esse amor havia se perdido, ou a culpa era da comunicação excessiva?
Não sei dizer, eu já namorei a distância e confesso que a saudade não me parecia tão bonita e sim angustiante, e com aquela leve sensação de: "Se eu for para o aeroporto agora, em duas horas posso estar com ele." Para ajudar esses meus questionamentos li um livro recentemente que fala sobre a fragilidade das relações humanas e de como tudo hoje em dia pode ser facilmente trocado. E então o que eu faria? A onde eu iria encontrar meu amor do século passado se ele não existe mais?
Na viagem de volta falei sobre isso com meu pai, esperando aquele leve choque de realidade que os pais dão na gente sabe? Só para nos lembrar de que não vivemos em um mundo tão cor-de-rosa. Mas o que escutei do meu pai foi uma frase interessante: "Você encontra o amor que oferece ao outro, filha se você realmente acredita que ainda existam relacionamentos como os de antigamente, certamente encontrará um para chamar de seu." A conversa com meu pai rendeu ainda mais um pouco, enquanto eu olhava pelo retrovisor do carro o sol se pondo a oeste. Ele me disse que eu poderia sonhar com as cartas e romances de antigamente mas que dificilmente eu abriria mão da tecnologia de hoje se eu pudesse escolher.
Já estava quase abrindo a boca para questioná-lo e dizer que ele não conhecia a filha que tinha, que era apaixonada por romances do século passado e que sonharia viver algo do tipo, quando antes de falar pensei: Se apaixonar a distância hoje, seria no mínimo parecido com 50 anos atrás? Qual dos dois eu escolheria?
Pensei nas comodidades de mandar mensagens instantâneas, de fazer ligações quando quisesse, e de trocar fotos com a pessoa em questão. De conversar sobre notícias interessantes, ou sobre qualquer futilidade em alguma tarde de domingo.
Realmente, eu não trocaria as facilidades que posso dar ao meu coração hoje pelo charme de meio século atrás. As cartas de antigamente, foram substituídas por fotos cheias de saudade e significado. As viagens de dias a cavalo, por uma mensagem de: "Já fiz o check-in e em breve estaremos juntos" ou "Só faltam mais 50km". A tecnologia realmente mudou, às vezes não sei se para melhor ou pior mas mudou. Encurtou as distâncias e fez o mundo parecer pequenininho novamente, tal qual no século XVII. Essa tecnologia nos aproxima mais, aplaca os nossos pobres corações que na maioria das vezes tem tendência a se envolver com pessoas que nem sempre estão fisicamente "aqui". Minha música favorita do Cazuza tem uma frase que desde que ouvi a 8 anos atrás nunca sai da minha mente. "Olha pra mim, me dê a mão depois um beijo, em homenagem a toda distância e desejo." Talvez o charme dos amores "de longe" seja esse, o aumento do desejo proporcional ao aumento da saudade. Então nessa época de distanciamento obrigatório se lembrem das dificuldades de comunicação que tínhamos antigamente, e aproveitem as novas facilidades que podemos desfrutar hoje. Faça planos de viagens para daqui a alguns meses, conheça novas pessoas e se apaixone por elas ou se apaixone novamente por antigos conhecidos e se nada disso for viável, bom, os romances ingleses sempre estão na estante para serem revividos. Dê uma chance para o amor mostrar o quão adaptado a distância ele está haha, e o mais importante se lembre que você encontra o amor que oferece ao outro.
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Parabéns pelo texto e pela sensibilidade, incomum numa época tão líquida! Tudo tão fugaz, menos pra você! Alegria de ver seu crescimento, desde 2009 eu não tive dúvidas! Siga voando!
ResponderExcluirParabéns pelo texto e pela sensibilidade, incomum numa época tão líquida! Tudo tão fugaz, menos pra você! Alegria de ver seu crescimento, desde 2009 eu não tive dúvidas! Siga voando!
ResponderExcluirRapha, que prazer ler isso! Você faz parte da construção da Thais que sou hoje. Ainda aguardo ansiosamente nosso café.
ResponderExcluirUm abraço. Saudades.