café com leite e rosas
segunda-feira, 21 de outubro de 2024
no limite das emoções: um relato sobre o transtorno bipolar #55
terça-feira, 7 de maio de 2024
De volta para os braços do Pai #54
Senhor, quanto tempo.
Eu até tentei fugir de Você, de tantas formas que não sei nem explicar, mas Você sabe detalhadamente cada uma delas.
Hoje, dia 7 de maio de 2024, Você me buscou de volta, usando um dos maiores meios que provam Sua existência, a natureza. A mesma natureza que testemunha Seu poder e onipotência, hoje chorei olhando pra ela, e em um último grito de desespero Te pedi ajuda, o fundo é que eu nunca deixei de acreditar em Você. A combinação das cores, cada detalhe de cada ser vivo que Você criou, eu nunca deixei e acreditar em Você, no fundo todas as minhas dúvidas, questionamentos, medos, lágrimas, se transformaram em uma barreira que não deixava eu sentir Seu amor por mim mais.
Mas hoje, hoje Você deu um basta nisso, assumiu o controle da construção da minha história novamente, me lembrou o quanto fui planejada e amada de forma única por Você. Lembra de todas as noites em que acordei de madrugada para aproveitar o silêncio e falar com Você? Lembra de todas as crises de choro que eu sentia Sua presença ali comigo, sempre me lembrando: “Eu já venci o mundo minha filha, aguenta só mais um pouquinho que todo esse sofrimento vai ter fim, não sou um Deus de falsas promessas, Eu vou voltar pra te buscar.” A maior promessa da minha vida, meu maior sonho desde menina foi te olhar nos olhos, ir correndo te abraçar, em que momento perdi o foco do meu maior amor? A infinidade que Você colocou dentro de mim nunca será preenchida, por profissão nenhuma, viagem nenhuma, nenhuma pessoa que conheci até aqui, alegria nenhuma desse mundo tem o poder de preencher o espaço de um Deus infinito no coração de ser um ser finito.
Busquei Você em outras religiões, que busca mais em vão, eu já Te conhecia, como eu poderia perder algo que já é meu? Meu Pai, O Único que sempre ficou, meu melhor Confidente, O Pai que sabe me aconselhar, a Luz no fim do túnel, que nunca desistiu de mim, que morreu naquela cruz, que me disse para não ter medo, para não ser ansiosa “por coisa alguma”. Ultimamente eu tenho sentido tanto medo Jesus, medo de nunca me curar, medo de não merecer o amor que recebo, medo de não aguentar a jornada e acabar com ela antes do tempo que Você escolheu, hoje olhando aquelas águas eu consegui te ouvir claramente me dizendo, que sempre quis intimidade e não religiosidade, que nunca me exigiu perfeição, que me criou exatamente como eu sou, que embora o mundo me deixe sozinha, Você nunca vai deixar, afinal foi isso que Você me escreveu naquela carta não é? Disse também que não há lágrima minha que caia e Você não perceba, e terminou ela reforçando a maior promessa da minha vida: logo estaremos juntos para sempre.
Eu voltei Senhor, não posso prometer que não irei cair novamente, hoje orei e supliquei Sua ajuda porque não queria terminar minha vida antes do que Você escolheu, e senti Seus anjos me ampararem, senti a paz celestial que não sentia a tanto tempo. Me perdoa por me perder no caminho, eu sei quem sou em Você, sei para que me criou, sei que vou Te encontrar.
Não entendi Seus planos, mas não preciso os entender, sei que estou aqui, e como Isaías disse, eis me aqui, envia a me a mim.
Me lembro bem do propósito: mostrar a judeus que Você É o Messias. E não existe prova maior do que o testemunho de amor que você tem gerado em minha vida, um pai que permitiu que eu me afastasse, que permitiu que eu questionasse, mas que na hora certa não permitiu que eu me perdesse do caminho. Você.
O caminho
A verdade
E a Vida.
Você disse que veio para que nós tivéssemos vida, mas não só vida em vão, mas vida em abundância. No mundo Pai, nós temos aflições, diárias, mas Você já venceu o mundo.
Obrigado por nunca ter quebrado uma só promessa até aqui.
Obrigado por que prometeu voltar.
Eu anseio pelas nossas tardes caminhando pela nova Jerusalém, anseio pela Terra onde não existirá mais dor, nem morte, nem lágrimas. Anseio por brincar com os leões sem pecado que Você irá criar na nossa frente novamente.
Anseio por encontrar em um novo corpo revestido de glória quem eu amo e já partiu. Anseio por sua volta.
Obrigado por não ter voltado antes de eu ter me arrependido.
Eu te amo Jesus.
Logo estaremos juntos, para sempre.
Uberlândia, 7 de Maio de 2024
Uma carta de redenção, remissão e liberdade para Aquele que me amou primeiro.
segunda-feira, 25 de setembro de 2023
o dia que encontrei o amor #53
Atrasada.
Nem tinha saído da minha cidade ainda mas já estava atrasada, tinha combinado com Giovane de encontrar ele as 19:30 no hotel para então sairmos mas já era 17:30 e o ônibus não tinha nem chegado ainda. A distância entre Uberlândia e Uberaba era de 100km mas os ônibus demoravam incríveis duas horas pra percorrer tal percurso. Conheci Giovane em um aplicativo de relacionamento que eu tinha instalado no celular para driblar minha falta de vontade de conhecer pessoas novas, nunca falava com ninguém do tal aplicativo, ninguém era interessante o suficiente, mas ele foi diferente, além de ser incrivelmente lindo (o que chamou minha atenção a princípio claramente) era muito divertido, me chamou com uma cantadinha pronta que me tirou um sorriso bobo dali começava a nossa história. Conforme fomos conversando fui ficando cada vez mais encantada, lindo, inteligente, engraçado e atencioso, eu estava oficialmente me apaixonando. A cartada final dele em me deixar apaixonada foi em um dia que ele foi para um bar com os amigos, a bateria do celular acabou e ele pegou o celular de um amigo para continuar me mandando mensagem. Eu estava oficialmente apaixonada, não teria como ser diferente, hoje percebo que não teria como conhecer ele sem me apaixonar, em qualquer vida ou existência eu me apaixonaria por ele, ele foi feito pra mim. Voltando para o dia do primeiro encontro, o ônibus chegou, meu estômago se encheu de borboletas, aqueles 100km pareceram 1.000, será que nosso beijo iria combinar? Será que ele iria me achar bonita pessoalmente? Será que ele iria gostar do vinho que eu estava levando? As duas horas dentro daquele ônibus foram de várias perguntas em minha mente, a cidade não chegava nunca, eu iria chegar muito mais tarde do que o combinado original, mas tudo bem, era sexta de feriado. Cheguei na rodoviária de Uberaba por volta das 20:00 após um atraso de quase duas horas do ônibus em Uberlândia, nunca tinha ido em Uberaba, já havia passado pela cidade algumas vezes indo para São Paulo mas até então não havia entrado se quer uma rua a dentro. “Cheguei no hotel, vou tomar um banho e te aviso pra você vir” mandei a mensagem para Giovane enquanto colocava o vinho no balde de gelo, tomei o banho mais rápido da minha vida, suava de ansiedade, meu estômago cheio de borboletas desde quando sai de Uberlândia. Acabei o banho, passei uma maquiagem simples, coloquei uma sainha preta curta, soltei o cabelo e me enchi de perfume, estava pronta. Mandei a mensagem avisando que ele poderia vir ele logo respondeu: “estou indo”. Penso em como o espero, deitada na cama? Sentada? Na porta do quarto? Me senti uma adolescente que iria dar o primeiro beijo pós aula na escola, decidi ligar o ar, estava muito calor ou eu estava nervosa demais? O ar não ligou, pronto era o que faltava, tive o cuidado de escolher o melhor hotel da cidade (pelo menos eu achava que era) e o ar simplesmente não funciona. Enquanto estou tentando ligar o bendito lembro: Giovane é engenheiro, com toda certeza ele iria saber ligar o ar e tão rápido o pensamento passa por minha mente ele abre a porta, olho pra ele sem graça em cima da cama: “oi, você sabe fazer esse ar funcionar? acho que está estragado” ele me diz oi, da um sorriso e vai ver o que está acontecendo com o ar, meu Deus como é lindo, ok, eu já sabia que era, via as fotos, mas pessoalmente é muito mais, queria beijar ele assim que ele chegou mas precisava manter a postura, sei que o amei desde aquele instante que o vi e ouvi sua voz pessoalmente, sempre fui apaixonada pela voz dele desde quando ele me mandou o primeiro áudio no WhatsApp (e mesmo hoje ouvindo ela todos os dias ainda sou encantada pela mesma). “Trouxe o saca rolhas?”, ele abriu o vinho e começamos a conversar, lembro dessa primeira conversa com uma riqueza absurda de detalhes, falamos sobre tudo mas principalmente sobre futebol, esporte que ambos somos apaixonados. “Vamos sair ou não? Porque já está dando onze horas e os lugares aqui em Uberaba fecham cedo” ele disse, eu respondi que queria ficar ali no hotel e continuar a conversa, a verdade é que não estava disposta a dividir a atenção dele com nada, queria ele totalmente focado em mim. A conversa fluiu de uma forma incrível, eu ficava cada vez mais encantada com tudo que ele dizia até que o que já estava perfeito ficou ainda mais: ele me beijou. Encaixe, essa é a palavra, como se Deus tivesse feito ele pra mim (o que hoje tenho certeza) nosso beijo encaixou perfeitamente. A boca mais gostosa da minha vida, o cheiro mais gostoso que já havia sentido, eu queria morar naquele momento. Passamos aquele fim de semana juntos e me lembro da sensação ruim de ir embora, não queria largar ele mais, eu sabia que me apaixonaria mas não sabia que seria tão intenso. Meu amor, caso esteja lendo este breve relato do nosso primeiro encontro saiba que mesmo estando ao seu lado por alguns meses ainda sinto o mesmo frio na barriga quando você me beija, seu cheiro, sua voz e seu sorriso ainda tem um efeito devastador em mim, e sei que será assim até meu último suspiro nesta vida. Sei que nosso encontro não é de agora, certamente antes de escolher esta encarnação eu escolhi te amar e continuarei escolhendo isso até meu último dia. Lembro da primeira vez que te disse que o amava, o momento mais especial da minha vida até hoje. Você me faz sentir um mix de sensações sempre que te encontro. Palavra nenhuma ou texto nenhum jamais será capaz de traduzir o que sinto por você mas continuarei escrevendo sobre para eternizar nosso amor. Você é a minha pessoa favorita do mundo todo, morro de orgulho do homem incrível que você é.
Eu te amo Giovane Penof, desde aquele primeiro minuto do dia 21 de abril de 2023.
Com amor,
Sua Thais.
terça-feira, 7 de março de 2023
é março, feliz ano novo! #52
Feliz 2023!
Desejar feliz ano novo no terceiro mês deste ano em qualquer lugar do mundo seria estranho. Menos aqui. No Brasil. Onde o ano realmente começa após o carnaval. Então. Feliz ano novo!
Decidi como primeiro texto de 2023 relatar um dia normal da minha nova rotina como pseudo paulista. Quase todos os dias são iguais. No começo achava isso tedioso, hoje já vejo como uma benção em meio ao caos que é essa cidade. Bom, vamos ao relato:
Caótico.
Assim eu descreveria meu dia de hoje que feliz ou infelizmente ainda não acabou.
O comecei bem, já fazia algumas noites que não dormia direito, mas após ir pra cama ontem em meio a lágrimas e orações, Jesus me deu uma ótima noite de sono.
06:40, toca o primeiro despertador, acordo meio sonolenta… só mais uma hora.
07:40 toca o segundo e último despertador, ou eu me levantava pra ir à academia, ou me rendia a manhã na cama. pensando bem estou merecendo uma manhã de preguiça, esses últimos dias foram tão absurdamente corridos, se tem alguém que merece uma manhã acordando às onze, essa pessoa sou eu. o pensamento dura uns dez minutos, me lembro da leitura bíblica que havia feito noite passada: provérbios 6, falava sobre preguiça. Deus nos ordenava a não ser preguiçosos.
pensei: eu posso desobedecer todo mundo, mas ainda não tenho peito para questionar as ordens da minha divindade. Levanto. Com raiva. tomo o pré treino tal qual aqueles atletas de fisiculturismo, só jogo na boca e engulo certa quantidade mínima de água por cima. já que tem que ir, então vamos né. Chego na academia, meus dois personais (sim, eu tenho dois) estão lá. um me aguardando pro treino o outro realizando o treino pessoal dele. tento continuar com raiva pra treinar mais rápido e ir embora logo. Não dá. os meninos são incríveis, Caio me deu todo suporte necessário para fazer um treino fod@ e Nicolas contribuiu com piadas e os assuntos mais aleatórios do mundo, enquanto eu fazia supino ele imitava o Naldo do meu lado claramente me fazendo errar o exercício e levar bronca do Caio que também não conseguia ficar sem rir. Saio da academia, volto pra casa. Ligo de chamada de vídeo pro meu pai: oi pai, vou fazer meu almoço agora, estou com saudades! papai me faz companhia enquanto faço meus ovos mexidos com queijo, falamos sobre finanças e sobre a empresa. Deus tem sido generoso conosco. Desligo a chamada, hora de ir pra Acadepol. Coloco um macacão de cetim preto e um all star, hoje não tinha aula de campo e eu com certeza seria a delegada mais descolada daquele lugar com meu all star rosa. Tarde toda de aula de penal, será que os professores se lembram que somos todos advogados aqui? preguiça. Vou pensar na minha viagem de “férias”. reviso as hospedagens, e se ao invés do hostel eu ficasse em um hotel 5 estrelas em Jurerê? eu mereço não é? são só 4 dias… mas Jurerê é tão longe de tudo… ok, 2 dias no hostel, 2 no hotel 5 estrelas que custa mais que o preço da viagem toda, mas vai valer a pena, tem hidro! eba. Penso no Rodrigo, queria que ele realmente voltasse em floripa comigo, mas já que percebo que não vai rolar, me lembro que ele esta se programando pra vir em sp, e se eu fosse um dia no rio? e se ele não quiser me ver no rio? eu morro de medo daquele lugar, solução simples: pegue outro hotel 5 estrelas em frente ao mar, qualquer coisa é só sofrer tomando uma caipirinha no terraço com piscina. (E voltar chorando a ponte aérea toda, quanto drama). Fecho o hotel no rio, um dia, ok. Aviso Rodrigo: vou ficar um dia no rio! Ele parece surpreso/animado. Deixo pra comprar os voos mais perto da data afinal, o hotel tem 50% de reembolso (do valor exorbitante) já os voos não. Tenho que ser menos emocionada. Acaba a aula na Acadepol. Lembro que queria passar em uma loja militar para comprar um coldre novo com lugar para duas armas, pego o endereço com um colega de turma, entro no carro e partiu se aventurar com waze no trânsito paulista. Acho a loja, porém, estacionamento? nada. só no fim da rua bem lá em cima. uma loooonga rua. Tudo bem, estou de all star o que tem andar um pouco. Entro na loja, vidro fumê, ar condicionado, tudo absolutamente fechado. Dois rapazes na recepção: “oi, eu gostaria de ver um coldre pra duas pistolas.” eles sorriem: “claro. é presente pro seu namorado ou marido?” faço uma mini expressão de raiva rapidamente, mas que eles percebem: “é pra mim”, apresento a carteirinha de aluna da Acadepol, por que o distintivo demora tanto em governo de sp? Já começam a me chamar de doutora, a bajulação de sempre. Sabe o que também é de sempre? as frases: “você não tem cara de delegada! parece tão novinha! sua família deve ter muito orgulho.” Sim não tenho cara, quando eu estiver com o distintivo pendurado acho que terei mais, sim sou novinha, a mais nova da turma e uma das mais novas a ingressar na história da polícia civil de sp, sim minha família tem muito orgulho. Próxima. Acho o coldre, preço salgado, logo penso: “metade da diária no hotel de Jurerê” mas ok eu também mereço. a loja também era de armas, dou uma olhadinha. outra glock não seria má ideia, mas a necessidade no momento é 0, e a vontade de gastar também. deixo pra próxima. Me despeço dos rapazes. Saio da loja, um temporal. Como assim? fez sol a tarde toda! Ok, da pra ir correndo até o carro! Mas eu não queria molhar o coldre, nem o all star, mas tudo bem… depois seca. Corro uns 50 metros, impossível. Vou estragar meu celular, essas garantias da Apple não são confiáveis. Paro embaixo de um toldo onde está um senhor de uns 60 anos também aguardando a chuva passar. “que temporal né?” assim ele tenta quebrar o silêncio clichê e constrangedor, eu respondo: “sim, isso aqui é uma loucura uma hora sol outra hora chuva” imediatamente escuto o que ouço pelo menos três vezes ao dia: “você não é daqui né?” “não sou de Uberlândia, Minas” “ah sim, eu vim de Santo Amaro trazer um mingau pra minha tia” eu respondo com certa indignação, afinal eu não entendo muito ainda do mapa paulistano, mas Mi mora em Santo Amaro e eu sei que é longe. respondo: “Santo Amaro?” ele diz:”sim, minha tia tem 101 anos, é sozinha, mas a comida predileta dela é mingau, minha esposa fez e decidi pegar o metrô e trazer pra ela, sabe-se lá Deus quantos anos mais ainda a restam pra ela comer mingau né”, dei uma boa risada. lembrei da minha sobrinha, da última vez que a vi e a fiz dormir cantando La Vie En Rose (única função da minha fluência em francês segundo meu irmão). como estou com saudades dela. será que um dia ela atravessará a cidade pra me levar mingau? dou outra risada sozinha. pergunto: “o senhor vai pegar o metrô de volta? a estação está a uns 5 quarteirões daqui” ele responde: “sim, vou esperar a chuva, qualquer coisa vou molhando mesmo”. não oferecer carona a estranhos. eu aprendi isso em Uberlândia antes de ser se quer advogada, quando tirei carteira de habilitação. mas que mal um senhor de 60 anos com um guarda chuva pode me fazer? ele não viu mas estou armada, o risco maior seria pra ele, abro a boca e digo: “quer uma carona até a estação, meu carro é aquele ali, eu deixo o senhor lá” ele sorri e diz: “aceito sim, você é muito gentil, deve ser porque é mineira”. é os paulistas não são conhecidos por sua gentileza no geral. corro até o carro, o celular inevitavelmente leva uns pingos, ok, nada demais. volto e paro para ele entrar: “uau uma Mercedes, nunca entrei em uma, só nos ônibus mesmo” dou outra risada e logo em seguida sou interrogada: “sem querer ser grosso (frase que geralmente antecede alguma grosseria) moça, você trabalha com o que?” lembro da minha primeira aula na Acadepol e de um delegado experiente dizer: “só conte sobre sua profissão a quem realmente interessar” então respondo rapidamente: “sou advogada” ele retruca: ”ah sim, São Paulo precisa de muitos mesmo, meu neto quer fazer faculdade de advocacia.” respondo: ”diga a ele que faça, é uma área incrível” (imediatamente peço perdão a Deus pelo pecado da mentira, mas quem sou eu pra destruir sonhos alheios) chegamos no metrô, ele agradece, pega a minha mão e me diz para fazer meu caminho para casa com Deus. eu respondo: “amém” ele sai. volto para o waze e o caminho de casa. minha cabeça está explodindo de dor, mas não vou parar em nenhuma farmácia, remédio só em casa e depois de um bom banho quente.
Chego em casa.
Nina me olha desinteressada no sofá, hoje não trouxe sachê pra ela, sinto que cada dia ela sente mais falta de Uberlândia. eu também nina, eu também.
Deito na cama de toalha após tomar o remédio, 5 minutos de descanso até ir pro banho pra depois ler e dormir.
Que dia.
Resolvo escrever sobre ele.
E aqui acabo o relato de um dia comum, aleatório, mas que mereceu ser registrado.
segunda-feira, 14 de novembro de 2022
Até a próxima vida #51
Hoje mandei pela milésima vez a mesma mensagem para a Andressa sobre você: não aguento mais sofrer por isso.
Hoje também liguei mais uma vez para o meu rabino querendo alguma explicação divina sobre a necessidade de todo esse sofrimento que me parece sempre inútil.
Ouvi dele a frase: devemos aprender a amar sem possuir, porque no fim quem ama é o espírito e não o corpo. Eu já tentei encontrar tantas justificativas pelo que sinto. Me parece injusto, injusto comigo em me colocar em tal posição, injusto com as pessoas ao me redor que me amam e não querem me ver mal pela mesma razão novamente.
Você.
Sempre você.
A quanto tempo eu não chorava no telefone com você me ouvindo? A quanto tempo eu não acordava com uma mensagem sua de preocupação e carinho: "vou viajar, não vamos nos falar, mas quero que fique bem", o que não te respondi foi que eu também iria viajar naquela sexta.
São Paulo.
Fórmula 1.
Nada me fez esquecer sua voz me implorando para explicar o porque eu não conseguia parar de chorar e eu para variar, não ser capaz de te falar o motivo.
Andressa me perguntou naquela terça: o que você quer fazer? quer ir parar na porta da casa dele? nós vamos! e eu respondi: só queria olhar para ele e chorar no seu abraço. não era nada sexual, nada de encontros, só chorar abraçada no colo do amor da minha vida pela razão contraditória de que nessa vida não ficaremos juntos.
Você foi assunto em são paulo algumas vezes nesse fim de semana, eu tentei disfarçar e desconversar. Acho que disfarcei bem, bem o suficiente até o avião pousar na nossa cidade, bem o suficiente até eu passar dirigindo em frente a mesma faculdade de direito que nos formamos, onde bebíamos de segunda a sexta no bar ao lado com 18 anos e achando que sabíamos tudo da vida. Duas crianças. Não que hoje eu me considere a rainha da maturidade porque acho que se fosse, teria descoberto como não sofrer mais pela mesma coisa: não ter você.
Mas estamos seguindo em frente.
Novos amores, que trazem paz a alma. Nada complicado. Nada confuso. Nada difícil.
Como o amor deve ser não é? Fácil.
Sequei as lágrimas enquanto ainda estava dentro do carro ouvindo Henrique e Juliano, "até a próxima vida" o clichê dos clichês. Lembrei do show deles dois meses atrás em que te liguei vinte vezes e sabe-se Deus porque você atendeu todas.
Todo esse texto, todas essas lágrimas, de terça até hoje só para te dizer: odeio o fato de termos feito tudo errado, odeio o fato de estarmos tão bem e felizes mas separados, odeio não ter aprendido a te amar sem querer ter você. Não te ver dói, não te ouvir dói, mais do que te imaginar com qualquer outra pessoa.
186 dias.
Espero um dia não saber mais essa contagem na ponta da língua.
Mas cada dia é um dia a menos para próxima vida e para a próxima chance.
Saudades,
com amor,
Thais.
sexta-feira, 7 de outubro de 2022
Você é minha música favorita #50
Uberlândia 07 de outubro de 2022
Outra sexta feira chuvosa de primavera em que chorei por você. Não consigo colocar na ponta do lápis a quantidade de vezes que já comecei um texto para ti prometendo ser o último, assim como também não consigo contar quantas lágrimas já se foram nesse processo. Todos os dias penso em você e às vezes tenho a falsa ilusão de que a dor está diminuindo junto a saudade com o passar do tempo. Mas não. Hoje te escrevo porque essa noite sonhei com você, e como sempre foi um sonho real. Acho engraçado que até em sonhos consigo discutir com você. No sonho eu te disse: "acho que não existe um bar nessa cidade que eu não tenha falado sobre nós" você sorriu e me abraçou. Já usei de tantas analogias para descrever aos outros o que eu sinto por você, tantas comparações que nunca me parecem o suficiente para demonstrar o que é a intensidade de te amar, mas uma eu nunca contei a ninguém e nem a você. Você me lembra um cd velho do meu irmão mais novo. Sim um cd. Quando éramos mais jovens (e que isso não soe como se fôssemos velhos) tínhamos um rádio e meu irmão tinha um cd que continha sua música favorita. Só havia um problema, a parte referente a sua música predileta estava arranhada, e não tocava de maneira correta. Meu irmão não se importava com isso, tirava e colocava o cd no rádio e o ouvia desde o início novamente só para poder escutar partes da sua música favorita. Era teimoso, obstinado, não importava quantos outros cds maravilhosos possuíamos em casa, quantas outras coisas ele tinha a fazer e a descobrir no seu tédio de dia a dia infantil. Todos os dias ele ouvia aquele cd só para ouvir partes picadas que fossem daquela música. Você é minha música favorita do meu cd velho. Eu insisto em tentar te ouvir mesmo sabendo que não vai funcionar. E não consigo entender porque ainda tenho essa faísca de esperança que insiste contra toda a racionalidade que deveria existir aqui dentro. Eu ainda amo você, e por mais que eu lute contra isso dentro de mim, e tente ao máximo fingir que esse sentimento já não existe, tenho perdido constantemente essa luta. Li uma frase de Santo Agostinho que me deu um aperto no coração e me arremeteu a você diretamente: "A angústia de ter perdido não supera a alegria de ter um dia possuído". Odeio a saudade, odeio a dor das lembranças boas que sei que não se repetiram e com a mesma força amo cada segundo que passei ao seu lado e apesar de toda dor ainda restante, faria tudo exatamente igual.
Com amor,
sua (apesar de tudo) Thais.
quinta-feira, 18 de agosto de 2022
Sobre férias, praia e destino #49
Queridos amigos,
quanto tempo.
Em todo esse tempo distante pensei muitas vezes nesse espaço, no porque não haviam textos novos, será que as boas histórias tinham acabado? Não, claro que não, mas nessa nova era de pandemia parecia que mediante tanto sofrimento alheio não era justo se escrever nada de bom.
Mas cá estamos, 2022, a pandemia não pode se dizer que acabou por completo, mas agora já soa como uma névoa se distanciando cada vez mais. Deus tem sido bom conosco. Manteve todos ao meu redor inclusive eu, com segurança e saúde intactas. Como primeiro texto de volta pensei em qual das muitas histórias que aconteceram comigo deveria contar, e a escolhida foi a minha viagem de férias, não ela toda porque isso renderia muitas e muitas palavras mas apenas o dia mais gostoso dela.
Tudo começou no fim do ano passado quando decidi que nas minhas férias iria para o sul do país, como boa mineira devo seguir o primeiro mandamento dos mineiros: "Em épocas de férias a praia deves ir". Escolhi então Floripa, além do fato de já conhecer a ilha e amar cada pedacinho dela, iria casar perfeitamente com meu destino anterior que seria Foz do Iguaçu. E lá se foi eu, voltando para Floripa após 6 anos. A sensação de que tudo havia mudado e ao mesmo tempo tudo parecia igual era assustadora. Alguns lugares mudaram, outros não, mas eu sem sombra de dúvida havia me transformado por inteira. Pousei em Florianópolis por volta as 13:30, o tempo estava amistoso, sol leve e poucas nuvens, mas não fazia calor. A previsão dizia que as temperaturas iam cair drasticamente nos próximos dias então sai do aeroporto e fui correndo para a praia com blusa de frio e tudo. A emoção de tocar o pé na areia do mar e ouvi-lo ao fundo foi inexplicável. Queria ficar ali para sempre mas logo percebi que iria ser difícil conseguir entrar no mar por aqueles dias, o frio estava intenso. Fui para o hotel e voltei a praia nos dias posteriores mas não consegui entrar na água, até chegar o meu último dia de viagem. Acordei decidida a entrar no mar, mesmo se estivesse fazendo 10 graus, mas para a minha alegria o dia amanheceu lindo, sem nuvens e ensolarado, coloquei o biquíni e fui tomar o café da manhã do hotel. Lá meus amigos nesse café, lá eu conheci o Rodrigo.
Rodrigo era um carioca que estava passando uns dias por Floripa também, não conhecia a ilha e aquele era seu primeiro dia no meu hotel. Tomamos café junto com outras pessoas, e quando eu estava de saída para minha jornada até então individual de entrada ao mar, Rodrigo me disse: "pera que eu vou junto contigo". E lá fomos nós, eu de biquíni e shortinho, ele de jeans e com os celulares do trabalho, seu plano era trabalhar a beira mar, de inicio eu não acreditei muito mas no fim, foi exatamente isso que ele fez. Percorremos um caminho de quase 6km até a praia de Joaquina, conversamos sobre absolutamente tudo naquela hora de caminhada e rimos das coisas mais idiotas do mundo. Chegamos na praia e Rodrigo como bom carioca e carismático já fez amizade com uns pescadores enquanto me incentivava a entrar no mar logo para não perder "a coragem".
Entrei no mar.
A água estava uma delicia e fiquei ali por alguns minutos, como se aquela água pudesse lavar além do meu corpo, minha alma. Chamei Rodrigo para entrar, ele estava trabalhando com os dois celulares e me disse: "poderia não ter vindo de jeans". Sai do mar em um momento e vi um pescador com uma blusa da redbull racing, também conhecida como minha equipe favorita de automobilismo. Elogiei a blusa do tal pescador: "amei a sua blusa", ele sorriu e disse:"fique para você então" logo em seguida tirou a camiseta e me entregou, ela estava com todas as etiquetas. era nova!
Antes de eu e Rodrigo sairmos de volta para o hotel, quis subir em algumas pedras para ver a paisagem, a subida parecia um pouco complicada e de inicio não conseguimos imaginar como faze-la sem passar por dentro do mar e Rodrigo não queria se molhar, mas de contrapartida eu queria muito ver a tal paisagem e ele em um gesto de carinho deu um jeitinho e passou por outro caminho e não se molhou. Subimos nas pedras e não satisfeitos andamos por algumas delas, tiramos fotos, quase caímos (eu quase ao menos, Rodrigo estava pleno mesmo de jeans) e por fim, olhamos a paisagem, perfeita.
Decidimos voltar ao hotel e assim finalizar nossa manhã e tarde. No caminho de volta passamos por algumas dunas, e rimos juntos de mais histórias. Chegamos ao hotel com a noticia de que naquela noite passaria pela ilha um ciclone. A temperatura caiu rapidamente, a noite já pedia agasalhos e cachecóis, Rodrigo me levou a uma cachaçaria artesanal onde experimentamos doses de cachaça de sabores bem exóticos. O frio apertou e decidimos ficar quietinhos no hotel onde conhecemos mais gente e fomos jogar sinuca, ou melhor Rodrigo tentou me ensinar a jogar sinuca. Naquele jogo foi onde conheci Jamil, filho do dono do hotel em que estávamos, ele não só jogou com a gente como nos presenteou com a melhor imitação do ET Bilu que existe. Resolvemos beber e jogamos alguns jogos de bebidas questionáveis, mas o final de noite foi perfeito nada mais justo para um dia perfeito afinal de contas.
Querido Rodrigo, se estiver lendo esse relato, saiba que aquele dia foi um dos melhores da minha passagem por esse plano, que aprendi realmente a sinuca, e que até hoje tenho medo dos pássaros fake. Ainda temos muitas viagens para fazer juntos e espero que cada uma delas renda um relato tão bom quanto esse.
A vocês amigos, nunca subestimem a capacidade do destino de fazer você conhecer pessoas incríveis em qualquer situação.
no limite das emoções: um relato sobre o transtorno bipolar #55
existem dias e dias dias de calmaria onde parece que estou em um veleiro navegando em águas calmas, sinto o vento que impulsiona a minha em...
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