Ontem, jantamos a luz de velas e a jazz dos anos 50, como sempre. Luz de velas? Não, o repertório é o de sempre. As velas vieram de mamãe tentando fazer algo novo durante a quarentena.
Taças borbulhando, um prato bem servido, divertimo-nos.
Ao sentarmos debaixo do céu estrelado, vi passar um risco de luz, rápido demais para ser qualquer coisa comum.
Entre muitas conversas, importantes demais para caberem em relatos tão breves, ela disse ter visto uma estrela correndo pelo ar.
Logo a vi fechar os olhos e balbuciar algo fora do meu entendimento, talvez propositalmente.
Logo a vi fechar os olhos e balbuciar algo fora do meu entendimento, talvez propositalmente.
Espontaneamente, repetiu a cena quando, segundos depois, pareceu avistar outra rajada no céu.
Perguntei a ela sobre isto hoje. Primeiro mencionou que nunca havia visto uma estrela cadente antes. Perguntei a ela como ela se sentiu. Animada em seu dizer, contou-me que era como se estivesse num filme e que fez exatamente como viu sempre fazerem. Lembrei-me da cena.
Curiosa, continuei. Perguntei como foi ter visto a segunda estrela.
A resposta que ela me deu foi incrível.
Foi um símbolo singelo da forma como o coração dela é cheio de ternura e amor. De como seus olhos não deixam de lado detalhes queridos, quando eles realmente os são.
"Foi tão espetacular quanto a primeira".