sábado, 30 de abril de 2016

Dedicado a vida de "Diane di Prima" #37

 Calor flutuante
Escorro da cama viva,
Pulsante
Fugindo do tédio semanal.

Correndo contra o tempo
É sábado, vou sair
Movimento
Enquanto exprimo
"Vem cá, baby" te digo
Deu vontade de dançar.

Vou fugir de casa
Vou cantar, enlouquecida
Ousada
Ousando
Tão louca
Viva vida
Como se fosse aspirante de momentos assim.

Expresso na expressão da noite
Lua bonita
Trago na mão
Jazz ao fundo
América eufórica
Simplesmente fico tonta
Com o vento no cabelo e vontade já subindo ao seio
Hoje sei que posso conseguir mais

Passo a achar um saco pensar
Meus medos já eram
Som sobre o volante
Eu no banco de trás
Calafrio penetrante
Sinto um cheiro
Logicamente vejo
Incerta
Sei que nada mais quererá.

No outro dia,
Ressaca braba
Vou no chuveiro
Já molhada
Grito:
"Baby, vem me secar"
E assim sigo
Chamando você pra vim comigo
Porque a solidão sim
É o maior medo que há.

- Thais R.

Profano #36

Começo, tropeço, na dor estremeço,
neste pântano, parco de sol, onde teimo em morar.
Solto um gemido rasgado, a transbordar,
sou alma magoada, baú de quem não esqueço.

Vagueio sem destino, no limbo do sentimento,
preso aos teus lábios, saudosos em meu peito,
náufrago encalhado no gosto do teu leito,
caio feito poeira - por ti -, ergo-me tormento.

Afundo-me, terra de cansaço, engulo a medo,
uma lágrima amordaçada, calada no oceano.
- Chega-te, vendedor de sonhos, faz-te a mim!

Traz-me pequenos nadas, aflora-me em segredo,
adoça-me a voz, embala – a alma -, o corpo insano.
Enrola-me o olhar, a vida contigo, por dentro assim!

Reescreve-me, pousa-me na pele, apenas um dedo,
desprende de mim a tristeza, toca-me profano.
Sufoca em mim as palavras – as últimas -, o fim! 

- Thais R.

Cinza também é cor #35

Ouvi dizer
Que dias nublados
São sempre tristes.
Que a vida precisa de cor.
Falácia!
A vida precisa mesmo 
é de amor.
Ora, pois, esqueceram-se 
que cinza também é cor? 

- Thais R.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Inspire #34

Não Pire
Respire
E inspire

Sonhe
Assanhe
E desentranhe

Beije
Encoraje
E deseje

Pasme
Ame
E apaixone 


- Thais R.

Já dizia Drummond... #33


"Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
Reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
Não se mate"


Carlos Drummond De Andrade, 2002

no limite das emoções: um relato sobre o transtorno bipolar #55

existem dias e dias dias de calmaria onde parece que estou em um veleiro navegando em águas calmas, sinto o vento que impulsiona a  minha em...