Atrasada.
Nem tinha saído da minha cidade ainda mas já estava atrasada, tinha combinado com Giovane de encontrar ele as 19:30 no hotel para então sairmos mas já era 17:30 e o ônibus não tinha nem chegado ainda. A distância entre Uberlândia e Uberaba era de 100km mas os ônibus demoravam incríveis duas horas pra percorrer tal percurso. Conheci Giovane em um aplicativo de relacionamento que eu tinha instalado no celular para driblar minha falta de vontade de conhecer pessoas novas, nunca falava com ninguém do tal aplicativo, ninguém era interessante o suficiente, mas ele foi diferente, além de ser incrivelmente lindo (o que chamou minha atenção a princípio claramente) era muito divertido, me chamou com uma cantadinha pronta que me tirou um sorriso bobo dali começava a nossa história. Conforme fomos conversando fui ficando cada vez mais encantada, lindo, inteligente, engraçado e atencioso, eu estava oficialmente me apaixonando. A cartada final dele em me deixar apaixonada foi em um dia que ele foi para um bar com os amigos, a bateria do celular acabou e ele pegou o celular de um amigo para continuar me mandando mensagem. Eu estava oficialmente apaixonada, não teria como ser diferente, hoje percebo que não teria como conhecer ele sem me apaixonar, em qualquer vida ou existência eu me apaixonaria por ele, ele foi feito pra mim. Voltando para o dia do primeiro encontro, o ônibus chegou, meu estômago se encheu de borboletas, aqueles 100km pareceram 1.000, será que nosso beijo iria combinar? Será que ele iria me achar bonita pessoalmente? Será que ele iria gostar do vinho que eu estava levando? As duas horas dentro daquele ônibus foram de várias perguntas em minha mente, a cidade não chegava nunca, eu iria chegar muito mais tarde do que o combinado original, mas tudo bem, era sexta de feriado. Cheguei na rodoviária de Uberaba por volta das 20:00 após um atraso de quase duas horas do ônibus em Uberlândia, nunca tinha ido em Uberaba, já havia passado pela cidade algumas vezes indo para São Paulo mas até então não havia entrado se quer uma rua a dentro. “Cheguei no hotel, vou tomar um banho e te aviso pra você vir” mandei a mensagem para Giovane enquanto colocava o vinho no balde de gelo, tomei o banho mais rápido da minha vida, suava de ansiedade, meu estômago cheio de borboletas desde quando sai de Uberlândia. Acabei o banho, passei uma maquiagem simples, coloquei uma sainha preta curta, soltei o cabelo e me enchi de perfume, estava pronta. Mandei a mensagem avisando que ele poderia vir ele logo respondeu: “estou indo”. Penso em como o espero, deitada na cama? Sentada? Na porta do quarto? Me senti uma adolescente que iria dar o primeiro beijo pós aula na escola, decidi ligar o ar, estava muito calor ou eu estava nervosa demais? O ar não ligou, pronto era o que faltava, tive o cuidado de escolher o melhor hotel da cidade (pelo menos eu achava que era) e o ar simplesmente não funciona. Enquanto estou tentando ligar o bendito lembro: Giovane é engenheiro, com toda certeza ele iria saber ligar o ar e tão rápido o pensamento passa por minha mente ele abre a porta, olho pra ele sem graça em cima da cama: “oi, você sabe fazer esse ar funcionar? acho que está estragado” ele me diz oi, da um sorriso e vai ver o que está acontecendo com o ar, meu Deus como é lindo, ok, eu já sabia que era, via as fotos, mas pessoalmente é muito mais, queria beijar ele assim que ele chegou mas precisava manter a postura, sei que o amei desde aquele instante que o vi e ouvi sua voz pessoalmente, sempre fui apaixonada pela voz dele desde quando ele me mandou o primeiro áudio no WhatsApp (e mesmo hoje ouvindo ela todos os dias ainda sou encantada pela mesma). “Trouxe o saca rolhas?”, ele abriu o vinho e começamos a conversar, lembro dessa primeira conversa com uma riqueza absurda de detalhes, falamos sobre tudo mas principalmente sobre futebol, esporte que ambos somos apaixonados. “Vamos sair ou não? Porque já está dando onze horas e os lugares aqui em Uberaba fecham cedo” ele disse, eu respondi que queria ficar ali no hotel e continuar a conversa, a verdade é que não estava disposta a dividir a atenção dele com nada, queria ele totalmente focado em mim. A conversa fluiu de uma forma incrível, eu ficava cada vez mais encantada com tudo que ele dizia até que o que já estava perfeito ficou ainda mais: ele me beijou. Encaixe, essa é a palavra, como se Deus tivesse feito ele pra mim (o que hoje tenho certeza) nosso beijo encaixou perfeitamente. A boca mais gostosa da minha vida, o cheiro mais gostoso que já havia sentido, eu queria morar naquele momento. Passamos aquele fim de semana juntos e me lembro da sensação ruim de ir embora, não queria largar ele mais, eu sabia que me apaixonaria mas não sabia que seria tão intenso. Meu amor, caso esteja lendo este breve relato do nosso primeiro encontro saiba que mesmo estando ao seu lado por alguns meses ainda sinto o mesmo frio na barriga quando você me beija, seu cheiro, sua voz e seu sorriso ainda tem um efeito devastador em mim, e sei que será assim até meu último suspiro nesta vida. Sei que nosso encontro não é de agora, certamente antes de escolher esta encarnação eu escolhi te amar e continuarei escolhendo isso até meu último dia. Lembro da primeira vez que te disse que o amava, o momento mais especial da minha vida até hoje. Você me faz sentir um mix de sensações sempre que te encontro. Palavra nenhuma ou texto nenhum jamais será capaz de traduzir o que sinto por você mas continuarei escrevendo sobre para eternizar nosso amor. Você é a minha pessoa favorita do mundo todo, morro de orgulho do homem incrível que você é.
Eu te amo Giovane Penof, desde aquele primeiro minuto do dia 21 de abril de 2023.
Com amor,
Sua Thais.