segunda-feira, 8 de julho de 2019

Sobre mim, como nunca antes #42

Ontem minha melhor amiga me disse uma frase que não sai da minha cabeça: "Eu te admiro Thais, esse seu jeito de ainda acreditar no amor e achar que em algum lugar vai encontrar o homem da sua vida!".
Estávamos conversando sobre nossos últimos relacionamentos, ela contando as coisas que lhe haviam acontecido e eu repetindo as minhas (as quais ela já deveria ter ouvido mil vezes, mas em respeito e carinho profundo sempre escutava como se fosse a primeira). Quando ela disse isso sorri e disse: "Ah nem eu sei porque sou assim, mas sou."
Meu coração odiou essa resposta, não era o que de fato eu estava pensando, ela não sabia que eu secretamente nas últimas semanas pedi desesperadamente a Deus para nunca mais me envolver com ninguém, que odiava me despedir desses amores que parecem sempre sem sentido, que não tinha tempo para me apaixonar por mais ninguém e nem queria, ela não sabia que eu orava todas as noites entregando o meu coração a Deus e implorando para Ele o guardar e não me devolver.
Mas naquela noite pensei nisso tudo, ela estava correta, como sempre. 
Eu fiz isso todas as vezes, as lágrimas, as orações, o drama exagerado, mas passadas as semanas eu ficaria ansiosa para me apaixonar novamente. Como eu queria mudar isso! Mas de que forma iria conseguir? Eu queria muito não ser a menina que em pleno século 21, na era do desapego, acredita em amores reais, que escreve poemas e se apaixona por sorrisos e piadas bem contadas, eu queria ser mais durona, dessas mulheres que vemos nos filmes, bem sucedidas profissionalmente (com um copo de café correndo pelas ruas de Manhattan atrás de um táxi haha), dessas que a gente olha e pensa: que mulherão hein.
Nunca gostei desse meu lado aparentemente frágil. Mas cheguei a conclusão de que não, não quero mudar isso. Eu sou uma dessas mulheres bem sucedidas profissionalmente, tenho muito orgulho de onde estou e de quem eu sou nesse momento da minha vida, e o fato de ser essa menina que ainda acha que vai encontrar o amor da sua vida de um jeito bem hollywoodiano não diminui isso, no fim eu amo ser essa menina que escreve poesias e envia cartas, que ama todos os tipos de flores mas que sonha em conhecer especialmente uma plantação de girassóis, cheguei a conclusão que depois de tantas "decepções" nessa área, o fato de ainda buscar alguma coisa com tanto desejo e certeza é uma prova de coragem. Uma prova pra mim mesma de coragem e acima de tudo de fé, fé no amor e em tudo que Deus me ensinou sobre ele. Disse pra minha mãe essa semana: "Mãe os ipês estão floridos, porém só vejo ipês rosas pela cidade, vamos ao parque, quero ver o roxos", ela sorriu e me disse: "Você dizia a mesma coisa com 6 anos de idade, você era igualmente apaixonada por aviões aos 10 e aos 13 já sabia o nome de todos os pilotos da fórmula 1", eu falei: "aff não creio que não mudei nada." Pensei bem depois, como eu mudei, como aprendi sobre o mundo, as injustiças dele, como aprendi sobre a fé que prático, como conheci Deus pessoalmente, como conheci pessoas tão boas e ao mesmo tempo tão ruins, como fui magoada e magoei  pessoas da minha família, falsos amigos, como lidei com meus vários empregos, o ingresso e o egresso da faculdade, os términos de namoro com homens que eu jurava serem o meu Ted Mosby haha e após tudo isso, eu ainda quero ver as flores, ainda vou aos correios na segunda semana do mês enviar cartas para os melhores amigos, a essência, essa não mudou e se quer saber acho que não mudará nunca. Amo a forma como Deus me fez, e sei que serei assim pela eternidade, Ele irá me mostrar novos tipos de flores e fará algumas só para mim e isso não é sinal de fragilidade nenhuma, depois de pensar nisso tudo, relembro a resposta que dei para minha melhor amiga e agora ela já faz todo sentido do mundo "Ah nem eu sei porque sou assim, mas sou."

no limite das emoções: um relato sobre o transtorno bipolar #55

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