quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Aquele do quase casamento #43

"Preciso escrever sobre isso", esse era o pensamento que ficava se repetindo em minha cabeça enquanto escutava uma história dessas que a gente só lê sobre.
Primeiro vou explicar o contexto, estava no meu trabalho e um senhor de uns 70 e poucos anos foi visitar a minha chefe, ele lhe contava sobre sua esposa que pelo que entendi estava internada em uma UTI em estado grave, comecei a prestar atenção na história. O senhor (o qual depois descobri que se chamava José)  tirou sua carteira do bolso, pegou uma foto 3x4 dessas preta e branco, mostrou para minha chefe e disse: "olha como ela era quando nos conhecemos a 50 anos atrás, ela tinha 18 anos e eu 25, não vou falar que ela era linda porque linda ela ainda é, tiramos essa foto escondido no dia do nosso quase casamento." Quase casamento? Nesse momento parei de escrever os relatórios que estava escrevendo e dediquei 100% de atenção a conversa, o senhor José percebendo meu interesse nada disfarçado olhou para mim e continuou falando: "Sabe mocinha, eu vim de belo horizonte estudar direito na ufu, e a conheci, ela era filha do dono da empresa onde arrumei meu primeiro emprego nessa cidade" nesse momento minha chefe falou: "eu nem sabia que uberlândia era tão antigo"  ele respondeu "é sim, quantos anos tá fazendo dia 31 mesmo?" e eu respondi imediatamente com um sorriso de orelha a orelha e como boa uberlandense orgulhosa que sou "131 anos", o senhor José continuou a história quando eu lhe contei que também fazia direto na mesma faculdade: "pois é, o pai dela não aprovava nossa relação, queria que ela se casasse com um doutor (nota minha: acho que ele quis dizer médico nesse momento) e eu não tinha nada, estudava direito porque não pagava nada na ufu e os gastos de moradia conseguia pagar plantando eucalipto para a empresa do pai dela, mas me apaixonei, era desses rapazes bobos, nunca tinha namorado na vida, ela era diferente, apesar da família ser bem de situação e ela ter só 16 quando a conheci, ela já trabalhava, era muito humilde e conversadeira e olha essa foto aqui (me mostrou a tal foto 3x4) era muito linda. Começamos a namorar, meu sogro não proibiu o namoro porque achou que não daria em nada, mas nós já falavamos de casamento, quando fizemos 1 ano de namoro em 1968 meu sogro começou a se incomodar, me despediu do emprego, vivia mandando gente me seguir querendo me passar medo, ele era um desses homens do mato grosso bem metidos a bravos sabe? (nessa hora eu já estava com a mão no queixo sobre a mesa escutando sem piscar) mas eu não fiquei com medo, arrumei outro emprego, já estava no meu segundo ano de direito, aluguei  uma casa onde hoje é o bairro fundinho e comprei todos os movéis novos, decidimos que iríamos nos casar, ela não tinha medo do pai mas precisava dos documentos dela (os quais ele escondia trancado em uma pasta), mas um dia ela conseguiu pegar os documentos escondida, me ligou e marcamos de nos encontrar na praça tubal vilela, na época o cartório ficava pouco ali pra cima, eu levei os meus documentos e fomos para lá, eu no meu horário de almoço, ela com uma roupa tão simples para não dar pistas para a família, quando chegamos no cartório, paguei o casamento e entramos na sala do juíz, eu virei para ela e disse: Carmen, eu queria que as coisas não fossem assim escondidas, nós nos amamos, seus pais vão te odiar o resto da vida, olhei para o juíz e disse: doutor voltamos amanhã, tem como? O juíz disse que sim mas que depois de amanhã o documento com o valor pago do casamento já não teria validade, voltei para o trabalho e naquela noite fui a casa dela e disse ao pai que iria me casar com a filha dele ele querendo ou não, que a amava e que sabia que ela só tinha 18 anos e eu 25, que não era doutor mas que iria dar do bom e do melhor para ela nas minhas condições, meu sogro fez cara feia e disse: não faço gosto, mas se ela quer, já tem 18 anos. No outro dia nos casamos, meus sogros foram, minha sogra estava feliz meu sogro com cara de poucos amigos, e assim construímos nossa família, hoje são 2 filhos, 3 netos e 2 bisnetos, meu sogro e eu viramos melhores amigos com o passar dos anos, e eu ajudei a cuidar dele nos últimos anos da sua vida."  Senhor José então se voltou para minha chefe para acabar de contar sobre o atual estado de saúde da esposa e eu para meu teclado, maravilhada com a história tão curta mas tão interessante, ela serviu para me inspirar de alguma forma.
Todos que me conhecem sabem que eu amo e sou completamente apaixonada por Uberlândia, que um dos meus sonhos é publicar um livro sobre as histórias que já ouvi das pessoas dessa cidade e um dia quando realizar esse sonho, a história do "seu" José estara lá, vi ele algumas semanas atrás e perguntei se poderia escrever algo sobre sua história, ele disse que sim, mas que era pra contar tudo direitinho como se eu estivesse escrevendo algo para um processo, eu disse que o faria. Senhor José, contei em poquissímas palavras sua história de casamento com a Dona Carmen que ainda se encontra na UTI, um dia irei escreve-lá em um livro como te prometi, continuo orando pela saúde dela e em breve vocês estarão em casa com os bisnetos fazendo bagunça.

PS: As vezes achamos que as maiores histórias de amor só acontecem em Paris ou em Verona (não é romeu e julieta?), mas as reais, as que estão pertinho de nós, são as mais incriveís de se conhecer.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Sobre mim, como nunca antes #42

Ontem minha melhor amiga me disse uma frase que não sai da minha cabeça: "Eu te admiro Thais, esse seu jeito de ainda acreditar no amor e achar que em algum lugar vai encontrar o homem da sua vida!".
Estávamos conversando sobre nossos últimos relacionamentos, ela contando as coisas que lhe haviam acontecido e eu repetindo as minhas (as quais ela já deveria ter ouvido mil vezes, mas em respeito e carinho profundo sempre escutava como se fosse a primeira). Quando ela disse isso sorri e disse: "Ah nem eu sei porque sou assim, mas sou."
Meu coração odiou essa resposta, não era o que de fato eu estava pensando, ela não sabia que eu secretamente nas últimas semanas pedi desesperadamente a Deus para nunca mais me envolver com ninguém, que odiava me despedir desses amores que parecem sempre sem sentido, que não tinha tempo para me apaixonar por mais ninguém e nem queria, ela não sabia que eu orava todas as noites entregando o meu coração a Deus e implorando para Ele o guardar e não me devolver.
Mas naquela noite pensei nisso tudo, ela estava correta, como sempre. 
Eu fiz isso todas as vezes, as lágrimas, as orações, o drama exagerado, mas passadas as semanas eu ficaria ansiosa para me apaixonar novamente. Como eu queria mudar isso! Mas de que forma iria conseguir? Eu queria muito não ser a menina que em pleno século 21, na era do desapego, acredita em amores reais, que escreve poemas e se apaixona por sorrisos e piadas bem contadas, eu queria ser mais durona, dessas mulheres que vemos nos filmes, bem sucedidas profissionalmente (com um copo de café correndo pelas ruas de Manhattan atrás de um táxi haha), dessas que a gente olha e pensa: que mulherão hein.
Nunca gostei desse meu lado aparentemente frágil. Mas cheguei a conclusão de que não, não quero mudar isso. Eu sou uma dessas mulheres bem sucedidas profissionalmente, tenho muito orgulho de onde estou e de quem eu sou nesse momento da minha vida, e o fato de ser essa menina que ainda acha que vai encontrar o amor da sua vida de um jeito bem hollywoodiano não diminui isso, no fim eu amo ser essa menina que escreve poesias e envia cartas, que ama todos os tipos de flores mas que sonha em conhecer especialmente uma plantação de girassóis, cheguei a conclusão que depois de tantas "decepções" nessa área, o fato de ainda buscar alguma coisa com tanto desejo e certeza é uma prova de coragem. Uma prova pra mim mesma de coragem e acima de tudo de fé, fé no amor e em tudo que Deus me ensinou sobre ele. Disse pra minha mãe essa semana: "Mãe os ipês estão floridos, porém só vejo ipês rosas pela cidade, vamos ao parque, quero ver o roxos", ela sorriu e me disse: "Você dizia a mesma coisa com 6 anos de idade, você era igualmente apaixonada por aviões aos 10 e aos 13 já sabia o nome de todos os pilotos da fórmula 1", eu falei: "aff não creio que não mudei nada." Pensei bem depois, como eu mudei, como aprendi sobre o mundo, as injustiças dele, como aprendi sobre a fé que prático, como conheci Deus pessoalmente, como conheci pessoas tão boas e ao mesmo tempo tão ruins, como fui magoada e magoei  pessoas da minha família, falsos amigos, como lidei com meus vários empregos, o ingresso e o egresso da faculdade, os términos de namoro com homens que eu jurava serem o meu Ted Mosby haha e após tudo isso, eu ainda quero ver as flores, ainda vou aos correios na segunda semana do mês enviar cartas para os melhores amigos, a essência, essa não mudou e se quer saber acho que não mudará nunca. Amo a forma como Deus me fez, e sei que serei assim pela eternidade, Ele irá me mostrar novos tipos de flores e fará algumas só para mim e isso não é sinal de fragilidade nenhuma, depois de pensar nisso tudo, relembro a resposta que dei para minha melhor amiga e agora ela já faz todo sentido do mundo "Ah nem eu sei porque sou assim, mas sou."

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Sempre haverá Paris! #41

Eu pensei que já havia lhe deixado pra trás.
Que essa história assim como outras que passaram tão rápidas não me causaria sensação nenhuma mais, me enganei. Me enganei muito.
Nunca pensei que escreveria para você novamente e meu coração esta decepcionado com cada palavra que eu escrevo nesse papel.
Sempre haverá Paris!
Li essa frase em um livro esses dias e logo me veio a cabeça você. Sempre haveria você. É minha frase favorita de um dos romances mais clássicos do cinema que foi filmado em preto e branco ainda: Casa Blanca, na cena o protagonista esta se despedindo de um dos seus amores, ela o pergunta "e quanto a nós?" e ele diz "nós sempre teremos paris" dando a entender que o que eles viveram ficou marcado naquele tempo e no coração de ambos mas que o melhor no momento seria cada um ir para seu rumo e viver sua liberdade. Ela concorda com um sorriso lindo e sincero. As coisas poderiam mudar em muitos sentidos mas a essência seria a mesma. 
Eu sinto saudades de ter você. Não sinto saudades da nossa relação e se voltasse atrás teria tomado a sua decisão por nós bem antes. Você me fazia tão mal, mas meu coração era seu na mesma intensidade. A saudade de ter você se aplica a tê-lo na minha vida. Os poucos momentos de contatos quase passam despercebidos em meio a tanto tempo longe. Queria voltar atrás, seriamos bons amigos até hoje e eu poderia te chamar pra ir a praia no verão sem peso de culpa.
Foi tudo muito rápido. Eu te disse algumas vezes (ou deveria ter dito) que nenhum espaço de tempo com você seria suficiente. E não foi. Não é. E hoje tantas semanas depois ainda estou aqui, te escrevendo uma carta dessas bobas que eu sempre te disse.
Eu sempre terei você aqui. 
E acho que sempre lembrarei de você em momentos engraçados e aleatórios. Sei que irá passar, estou quase me apaixonando por outro, imagino que você já esteja com outra (ou outras), mas eu quero ter essa carta escrita de recordação, dos últimos momentos desse sentimento todo.
Eu nunca te disse eu te amo, acho que não amei, não é possível amar alguém em tão pouco tempo e com tão pouco de convivência, mas se existe um ápice de apaixonar-se, você foi o meu. 
Eu oro por você todos os dias, e HaShem sempre me diz a mesma coisa: eu e você moraremos no mesmo céu pela eternidade, e aprenderei a amizade genuína ali. Não posso pensar em uma eternidade sem você, queria te ligar e dizer tudo isso, pegar um avião e te encontrar no meio do caminho como uma última promessa a ser cumprida, ainda vou viver tudo que combinei que faria com você, e mesmo estando apaixonada por outro, aqui dentro vou me lembrar de você quando as realizar.
Queria te dizer que acabei de ler o seu livro favorito e que percebi o quanto meu inglês estava enferrujado, que descobri que a 70 km da minha cidade existe uma plantação enorme de girassóis. Essa não foi minha melhor carta, e já dizia meu pai que todas as cartas devem ser enviadas, não sei se ela será, se ela sairá da minha gaveta, ou se só vou dobra-lá e guardar no meu potinho das conchas. 
Mas ela será sua, mesmo você nunca lendo, ou nunca recebendo pelos correios, porque o senso de pertencimento das coisas sentimentais é diferente. 
Sinto falta de você.
Quando tiver em Israel te mandarei um postal de lá.
Com amor, e todo carinho do mundo.



Thais. 

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Uma carta ao meu coração #40

Querido coração,

Eu sei que as coisas estão meio conturbadas por aí, faz dias que não batemos um papo só nós dois, mas não pense que eu estou lhe ignorando, na maior parte do tempo estou tentando seguir o que você me diz.
Nem sempre dá certo.
Essas últimas semanas tem sido uma loucura, não só pra você querido, te coloquei em uma história que nem sei se queria embarcar mesmo, e lá fui eu me jogar completamente nela. 
Você tem se divertido com isso tudo? 
A parte boa vem compensando a ruim?
Me conta o que você mais quer e eu atenderei.
Os momentos que a mocinha aqui de cima (a gente chama de razão) toma as rédeas nem sempre são agradáveis pra você, eu sei. 
A dorzinha no peito que você me faz sentir sempre que isso acontece não me deixa esquecer.
Creio que tenho tomado boas decisões por nós dois, a distância não ajuda mas a culpa não é nossa.
Tem sido divertido, a palavra certa seria arriscado.
Mas eu e você gostamos de correr riscos desde sempre, então não vejo problemas nessa parte.
Se te dá alguma paz eu não faria nada do que fiz ou penso em fazer se não fosse seu desejo mais puro e sincero, tenho um compromisso de sempre ser fiel com você meu amado coração.
Sei que esta com saudades, eu também estou, quanto a isso eu estou fazendo tudo que posso para resolver seu problema o mais rápido possível e mesmo que por algumas horas te dar paz.
Não pense que estou ignorando as outras coisas, os amigos distantes também andam te perturbando, eu percebo, queria te dizer que resolverei isso em breve mas já não sei.
Quanto ao resto, como andas?
Me conta como andam as expectativas, você fica todo suntuoso quando alguém esta vivendo aí dentro. E eu me divirto com a sensação.
No mais querido coração, me encontro aqui, com a firme missão e responsabilidade de fazer o que você quer desde que a razão não se intrometa na nossa relação a dois (ela ama fazer isso). 
Me perdoe pelas vezes que não te ouvi, mas algumas decisões precisam ser tomadas para sua proteção meu jovem amor, o mundo não é como você imagina e se você vivesse aqui fora, saberia disso.

Estou aqui pra você, esperando a resposta de todas essas questões.


Com amor, carinho atenção e cuidado  

sua Thais. 

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